Você precisa aprender a dizer não


 Nossos pais nos ensinam desde crianças que devemos ser generosos, atenciosos, fazer favores entre outras qualidades que nos classificam como "bonzinhos". Isso não é ruim - na verdade é o que esperamos do próximo também -, queremos trocas, apoio, atenção, esse é o principio das relações humanas. O problema é que tudo em excesso atrapalha e não adianta o quanto você tente, no fim vai perceber que está totalmente envolvido em uma situação que não te caberia. Admita, é uma desgraça. Você ensaia, imagina uma cena, faz um discurso, mas no fim a única palavra que sai da sua boca é um sonoro e arrependido "sim". Por experiência própria posso lhe assegurar que isso vai te matar aos poucos, e vai começar pela sensação de estar sempre em dívida. Pare, é sério. Não é ruim dizer: "hoje eu não posso" ou "estou ocupado demais", mesmo que seja mentira, as vezes você só precisa de um tempo sozinho, um banho demorado ou sei lá, você só não está a fim mesmo. Acredite em mim, isso não é o fim do mundo. Dizer não, quando você não quer fazer algo é necessário. Não é egoísmo, por mais que seja o primeiro sentimento a brotar no peito depois de dizer um não. Quanto mais falamos "sim" mais difícil fica dizer "não", tudo vai conspirando para que você abra a boca e solte a bendita palavra. 
Você poder ficar no meu lugar hoje ? "sim, claro"
Posso usar seu moletom ? "sim, sem problemas"
Me empresta 100 reais ? "sim, pegue aqui"

Já parou pra pensar em quantas vezes você deixou de fazer algo por si mesmo para atender o pedido de alguém ? Ou nos sonhos que você adiou porque alguém precisava de você ? E ainda, já pensou nas vezes em que aceitou fazer alguma coisa e se arrependeu no minuto seguinte ? Pois é, isso não faz bem. De que adianta colocar um sorriso no rosto do outro e se encher de tristeza ?! Acho que não vale a pena. Claro, ninguém é feliz sozinho, todos precisamos de ajuda, mas tudo tem limites. Avalie suas prioridades, coloque seus planos na mesa, seus sonhos na frente e encontre um espaço para os que te cercam. É possível;  acima de tudo necessário. Uma hora dessas você vai pirar e muitos dos que estão, agora, te pedindo favores vão desaparecer ou te julgar por não ter aguentado a barra. Não confunda amizade com exploração, você não precisa viver em função do outro para ser alguém querido. Priorize-se!

Já estou com saudades: um filme que você vai recomendar mil vezes

Ok! Confesso que torci o nariz muitas vezes pra esse filme quando estava procurando alguma coisa interessante pra assistir na Netflix. Fazia questão de rolar a página mais rápido e nem perder tempo tentando encontrar algo de bom na "capa" do anúncio, que fica lá, indicando do que se trata o longa.  Até que um dia, do nada (mentira, estava cansada de procurar alguma coisa), resolvi clicar no danado e ver o que dizia a sinopse.
Era algo mais ou menos assim:
Jess e Milly são melhores amigas desde a infância. Enquanto uma se casou, teve dois filhos e uma carreira profissional bem sucedida, a outra divide a vida com seu marido Jago em uma casa-barco e tenta desesperadamente ter um filho. A vida das duas muda completamente quando Milly descobre um câncer de mama, colocando nos ombros da amiga Jess o peso de anos de amizade.
Resolvi não questionar, apenas dei play no filme e deixei rodar. Os primeiros minutos conseguiram arrancar algumas risadas, principalmente pela atuação de Toni Collete (Milly), ela é praticamente o filme todo. Sem exageros, ela preenche a história muito bem. 


Com o desenrolar do filme as coisas foram ficando dramaticamente interessantes. Me senti presa. Aos poucos fui entendendo para qual rumo a história estava me levando: "dramédia". Sabe quando você tem que rir da desgraça do outro, porque se você abraçar ele suas lágrimas não vão parar de cair nunca mais ?! Então, é mais ou menos por ai. Como já dito na sinopse, a personagem Milly é diagnosticada com um câncer, uma doença grave, mas que vira piada em vários momentos tirando da tela aquele ar mórbido e exaustivamente triste. As personagens são duas palhaças, no melhor e pior sentido da palavra. Duas grandes amigas que se conhecem muito bem, uma amizade sem limites. 


O filme vai te fazer silenciosamente a todo momento algumas perguntas: "Será que minha melhor amiga faria isso por mim ?" "Que tipo de pessoa consegue rir de um câncer?" "Se fosse eu ?" "Eu abriria mão dessas coisas pra ajudar um amigo?" Cada nova consulta feita por Milly ou a cada diálogo perfeitamente encenado com os filhos vão dar um soco no seu coração, um soco bem forte, mas ainda assim você vai continuar assistindo, seja por valorizar relações de afeto, empatia ou simplesmente por curiosidade. Outra grande sacada do filme é a forma como ele aborda questões sociais de uma maneira plural, como a vontade de ser mãe. Um dos grandes sonhos de Jess (Drew Berrymore), que precisa ser conciliado com a doença da melhor amiga, além da relação de Mãe-Tia-Amiga que ela tem com os filhos de Milly. É uma explosão de amor, uma lição de generosidade e afeto, puro e simples sem pedir nada em troca. 


Chorei muito, não esperava nada do filme e acabei ganhando uma lição de vida, olhos inchados e uma ideia de post para o blog. Realmente valeu a pena. Pensei que seria apenas uma injeção de açúcar nas minhas veias, um filme bem melado e cheio de clichês, mas eu me surpreendi. Me senti feliz e inspirada a ser alguém melhor com os que me cercam e principalmente com aqueles que por algum motivo (doença mental) ainda me chamam de amiga. Mais uma vez. Vale muito a pena. 


Gênero: Drama, comédia
Ano: 2015
Foco: Relações de amizade, amor, doenças terminais, família
Avaliação:  ★ ★ ★ ★